sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Descobrindo o rio

Aurélia era uma mulher madura beirando seus quarenta anos. Ela estava casada há algum tempo e seus filhos já tinham largado a barra de sua saia.
O marido vivia para o trabalho e ela se sentia entediada c/ os afazeres de casa.
Acordar às quatro e meia da manhã, buscar água no poço, recolher madeira para acender o fogão à lenha, acordar as crianças e preparar a água do banho antes da escola.
Cuidar da barba do marido, preparar almoço e entre um suspiro e outro, coser os rasgos das roupas dele.
Estavam todos fora naquela tarde e ela se viu sozinha em casa com todas as tarefas a sua espera.
Aurélia resolveu dar um pontapé na rotina e antes que as crianças voltassem famintas pelo lanche da tarde, resolveu ir ao campão recolher a madeira para o dia seguinte.
Sentia-se tão vazia e presa aquela vida, que queria fazer tudo ao contrário. Pelo menos quando estivesse sozinha, não tinha que ceder aos desmandos do marido.
Ele era daqueles homens com voz de trovão, que só a respiração dava medo.
Aurélia casara como muitas outras moças de sua época. Mal menstruou, foi empurrada para seu novo senhor, que dessa vez não tinha nada de pai.
Não tivera beijos na lua-de-mel.
De origem humilde, fora entregue a esse dono porque uma de suas virtudes era a honestidade e disposição para o trabalho. Em sua vila humilde, isso o elevava a condição de bom partido.
Bráulio não tinha medo do trabalho é verdade. E na usina em que trabalhava, convivia com homens da mesma espécie, mas ele não era dado a prostitutas como seus colegas de profissão. Era de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Era um homem rude, sem ambição. Sua idéia de riqueza era comida na mesa e só.
Aurélia tinha mão boa para costura, de maneira que conseguia recortes ou o que chamaríamos de revistas velhas, com idéias de como seria a vida na cidade.
Aquelas cartolas lustrosas, os fraques impecáveis e os cabelos engomados da cidade lhe chamavam a atenção.
Apesar de não saber ler, aquelas imagens povoavam seu imaginário e em nada lembravam o jeito de ser de seu marido e senhor.
Imaginava-se sendo envolvida por um homem daqueles e aninhada como uma criança.
Se espantava muitas vezes com esses pensamentos e de como eles apareciam em sua cabeça, já que na época de seus pais, nunca vira tal demonstração de afeto, a não ser da mãe para as crianças.
Aurélia não sabia, mas vinha sendo observada nas madrugadas pelo jovem Marcos há algum tempo.
Ele não tinha família, não tinha residência fixa, nem ninguém e transitava pelos dois mundos.
Aprontava algumas na cidade e isso o obrigava a se manter afastado por um algum tempo, afim de decidir qual seria o novo destino de suas armações.
Questão de sobrevivência talvez.
Ele andava escondido na mata que pertencia ao terreno de Aurélia e a observava a espreita.
Ela era totalmente diferente das mulheres que andavam com Marcos. As outras, andavam a disfarçar as imperfeições com maquiagem, espartilhos, botas de salto, meias, ao passo que Aurélia não podia viver daquele jeito, mesmo que pudesse, seria uma figura ímpar na redodeza. Se assemelharia a uma aberração, já que ninguém se vestia assim na roça.
E era justamente disso que Marcos gostava. Dos cabelos dela ao vento, quando corria para perto do rio, da saia molhada e transparente mostrando-lhe as formas ao sair do rio.
Dos seios fartos apesar de não tão firmes, pois Aurélia amamentara 5 crianças, era impossível ser perfeita...
Aurélia fora buscar madeira e água naquela tarde e se embrenhou pelo mato a catar gravetos. O calor abafado do mato lhe subiu a cabeça. Escorria o suor pela fronte e nas costas a blusinha de algodão lhe colava nas costas. Surtou. Sentiu uma onda de calor invadindo o corpo e ao limpar o suor que já escorria entre os seios, sentiu um arrepio diferente ao tocá-los.
Gostou.

Meio que inconsciente, Aurélia foi caminhando em direção ao rio, solitária, largando balde, gravetos, só enxergando a margem como refúgio.
Sentou-se contemplativa na beira do rio e as águas cálidas confortavam-lhe a alma, mas não lhe aplacaram o fogo que lhe subia a cabeça.
Seus dedos se encaminharam por entre as pernas abertas. Foi subindo pelas coxas acima, meio insegura e ali bem no meio da vagina, sentiu o clitóris rijo. E ficou acariciando tranquilamente como se aquilo fosse comum. À medida que ia acelerando o toque, gemidos saíam de dentro dela. Aurélia sabia que não seria ouvida, de forma que não teve medo e se deixou levar pela loucura que sentia.
Marcos observava tudo.
Ficou excitado e assombrado de ver aquela mulher até inocente, se tocando tão lindamente.
Infelizmente, ele tinha um lado mau que predominava em sua personalidade.
E ao vislumbrar tal cena, viu ali a oportunidade de satisfazer sua vontade. Ele era jovem, viril, de traços finos, exatamente como Aurélia via nos recortes da cidade.
O mal que estava prestes a fazer, por uma ironia do destino talvez não fosse tão mal assim.
Aurélia estava prestes a alcançar o orgasmo, quando ele veio sorrateiramente por trás de tapou-lhe a boca.
A primeira imagem q veio na cabeça de Aurélia foi a de seu marido preparando-lhe um castigo. Imaginou numa fração de segundos, a surra, o espancamento, toda dor interna e calou. Congelou e fechou os olhos.
Marcos se deteve e afroxou a mão. Alguma coisa naquele momento tocou seu coração e ele ainda não sabia o que seria, mas deixou que ela o visse.
Os dois estavam em silêncio. Ela chocada pelo engano e surpresa. Ele pela ardência que vinha de seu coração ao encontro dos olhares.
Ele pegou a mão de Aurélia, devolveu para o lugar onde se encontrava e acariciou seu rosto.
Lágrimas rolaram de sua face, como que aliviada pela visão da beleza dele. Enquanto ela chorava, ele a beijava. E os dois foram ficando ofegantes e mais excitados.
Ela se deitou, como que consentindo ser penetrada e ele nem baixou as calças, empurou seu membro dentro dela na beira do rio.
Enquanto montava em Aurélia, enfiava o dedo em seu ânus e ela gritava de prazer, lhe arranhava as costas, falava coisas que nem sabia que podia dizer, por fim se libertando exausta num gozo único.
Entraram no rio, depois nadaram e se conheceram.
À partir daquele momento, Aurélia descobrira que existe amor e Marcos também.
Ele acostumado à vida fácil, resolveu ficar por ali mais tempo que o pensado no início.
Ela, mudara o horário de buscar madeira.
Aproveitava para levar comida e suprimentos para seu homem.
E assim foram vivendo e se amando, até que chegasse a hora de sua viuvez.
Tocando a vida, com calma, sem pressa e sem medo da solidão.
Esperando a viuvez chegar. Mesmo que fosse provocada.




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Testando a vassoura

Vcs sabem q andei meio sumida.
De fato, ando aprontando um pouco.
Tenho viajado no tempo em busca de informações sobre a década de 20, do século passado.
Logo, logo, terei material suficiente para trazer ao vosso conhecimento de histórias picantérrimas q já aconteciam naquela época.

Grande abraço de bruxa e não esqueçam de subir na vassoura!
 
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