quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bruxa-Estima

A Idiota - Óleo sobre tela de Iberê Camargo
Andava pela rua olhando os homens que teria coragem de levar para sua cama, mas não era vista.
Há muito tempo não era vista, ou se era, não lhe interessava os perfis. Não chorava, só ardia dentro das calças e muita das vezes para aplacar o desejo, tirava-as e pro baixo daquela saia, ninguém sabia, mas ia uma mulher ardente sem calcinha.

Não usava isso a seu favor, porque não tinha com quem repartir esse segredo. A não ser com algumas colegas que lhe recriminavam.
Mesmo sabendo que seria reprovada em seus atos e por seu verbo, ainda sim falava as maiores atrocidades. Uma forma de censura, passou a ser uma forma de carinho entre as pessoas de seu convívio. E assim ela o fazia. Sabia que aquelas que não lhe tinham inveja, falavam porque gostavam dela e uma demonstração de carinho, mesmo que torta, para ela valia mais.

Andava com o sexo depilado por baixo das saias, via os homens na rua e imaginava sendo acuada num beco, virada de costas com violência e penetrada com vigor. Assim, seu sexo se entumescia, ficava úmido e ela com o corpo em brasa ia para casa solitária conversar com seu travesseiro.

sábado, 24 de setembro de 2011

HOJE EU SONHEI COM VOCÊ

Arte Expressionista
Sonhei com você.
Sabe o que é pior de sonhar com você? É ser correspondida. Porque na vida real eu sei que não sou correspondida. Que tudo não passa de fruto da minha imaginação, muito embora tudo o que tenha acontecido àquela noite.

Mas no sonho, você sempre sente saudade de mim, vc sempre é carinhoso, me toca ou me abraça forte. E independente de termos sexo no sonho, coisa que há muito não tem, eu consigo ter as sensações da sua boca encostando na minha, do seu corpo me apertando, dos seus braços me envolvendo com carinho e ternura.

Foi assim essa manhã, há uns 5 minutos de eu acordar.
Era Páscoa e as pessoas do trabalho se encontravam, se abraçavam para o horário do almoço e se desejavam boaventura. Seus amigos inclusive estavam aguardando outros para o almoço em conjunto.
Eu os abracei e desejei paz e tudo mais.

Então avistei você mais distante do grupo e fui ao seu encontro.
Foi tão bom receber aquele abraço demorado que parecia um abraço de 10 minutos que ganhei um dia de verdade. Só que nesse abraço, nossos rostos ficavam lado a lado muito próximos e a vontade de beijar era iminente.
Então vc susurrava coisas no meu ouvido, como quem sente saudade e beijava o canto da minha boca discretamente, ainda sussurrando para não despertar a atenção das pessoas.

Eu francamente não quis olhar pra trás porque tudo estava tão bom... não devia estragar aquele momento. Foi bem nessa hora que ganhei a consciência de que se tratava de um sonho.

Correspondi ao seu beijo e ele foi ganhando intensidade. Estávamos nos beijando em público. Dane-se. Ninguém estragaria a minha vida, porque era apenas um sonho com rostos conhecidos ao fundo. Nada mais.

E então o relógio tocou e eu despertei sem vontade de continuar dormindo em muito tempo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Perdeu Jacqueline

Mulata de Vestido Verde - tela de Di Cavalcanti

Fazendo um mergulho bem fundo na alma dessa mulher, via-se que apesar da aparente felicidade estampada no sorriso branco, aquela alma velha e cansada de tanta criancice ao redor carecia de carinho.

Qual é a mulher que não precisa de carinho? Não conheço.
Então ela começou a buscar esse "carinho" instintivamente em umas épocas, noutras épocas, conscientemente.
Ela sabia o que estava fazendo e só queria sexo com alguém relativamente bom. Já fora exigente o bastante para saber q não adiantava ficar escolhendo.
Agora, uma experiência qualquer valeria. Alguém que dissesse que ela era cheirosa, ou que seu cabelo é bonito ou ainda, que seu beijo é bom.

Tinha sim suas preferências, mas isso de nada valia. Não valia mais.
Tinha amadurecido demais, via muito além do que os outros enxergavam e quase nunca conseguia ser entendida. Portanto parou de exigir. Se o outro não tivesse a aparência monstruosa, apresentasse certo asseio e tivesse um bom toque, isso bastava.

Se jogou um dia na noite da boemia acompanhada de poucas amigas e sem nada esperar, despertou a atenção de quase ninguém.
Deixou-se entorpecer pela música, pela fumaça, pela droga e partiu para flertar com a vida. Mal se dera conta de que era observada por não mais que um quase menino.
Era quase um menino, quase um homem.

Quase esse, que embalado pela música, pelo sorriso fácil dela e pela liberadade que ela exalava, assim se sentiu atraído.
Quando se é novo, tudo o q se quer é alcançar a liberdade de espírito e ela tinha esse espírito livre. Sem o peso ou as amarras da sociedade vigente. Isso o atraiu completamente. Mas, e acompanhar?
Ele seria capaz de se despir de suas próprias amarras por uma noite com ela?
E ela, que tanto ansiava por um homem, se renderia aos braços de um menino?
Encostaram num balcão.
E ela inteiramente no domínio da situação, o trouxe até sua boca seguro pelo queixo. Enfiou sua língua entre seus lábios e passeou com ela por seus dentes semi-cerrados. Até que ele se deixou beijar. Um beijo, que nem era um beijo experiente. Um beijo de iniciante e que nela provocou quase tédio.
Já tinha beijado mil bocas. Todas muito diferentes daquilo. Todas a despertar aquele tesão que fazem arder o coração ou ainda, deixar as pernas trêmulas.

Ele não.
Ele não sabia beijar assim. Teria muito caminho a percorrer e ela... bem... ensinar nunca foi o seu forte.

E a alma sentia uma saudaaaade de nem sei o que. Uma vontade de uma boca, de uma mão lhe alisando o cabelo, passeando por seu corpo... uma mão que já sabia o que fazer.
Não de uma mão aprendiz. Na verdade, ela queria ser cuidada. Só isso.
Não, ele não saberia nada disso.
Ele tinha medo de se apaixonar e sabia também q não estava a altura dela.
Recuou.

A verdade é que ambos se afastaram. No meio de palavras ríspidas ficou só a lembrança daquela noite cansativa pra ela, promissora pra ele.
Não quiseram.
Ela não quis ensinar e ele não se permitiu aprender.
Preferiu tocar punheta.
 
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