sexta-feira, 2 de junho de 2006

O INOCENTE


Antônia nunca fizera nada parecido.
Seduzira uma rapaz 7 anos mais novo que ela.
Implorara como por uma droga, que ele a comesse. Sim, ela parecia estar passando por uma crise de abstinência.
Conheceram-se na rotina do escritório de advocacia. Nada anormal nisso.
Toda a equipe era mais nova e ela os tinha como filhos do coração.

Jamais se imaginou ou maldou tendo algum tipo de caso c/ qualquer membro da equipe.
E então, de uma simples troca de e-mails, a coisa ficou estranha.
Ela andava c/ a auto-estima normal, mas não gostava de garotos recém-saídos da adolescência. Sonhava em encontrar um homem que lhe desse uma surra na cama e francamente, um rapaz recém-saído da adolescência não daria conta daquilo tudo.

Ele era daquele tipo em extinção! Noivo há 6 anos, terminando os preparativos pro que seria um casamento e o último da espécie dotado de consciência.
Sim, o rapazola tinha consciência. Com o passar do tempo, ela começou a pesar antes mesmo d'ele experimentar as delícias da Antônia.
Antônia ia trabalhar sem calcinha, só p/ desfilar a saia justa e colante perto do rapaz.
Com um simples telefonema, ele ficava sabendo de tudo e a mente voava livre e solta. O pau crescia dentro das calças mas...
Aí vinha o fim de semana, contatos freqüentes c/ a noiva e a consciência doía, latejava mais q seu pau inchado, quando chegavam os e-mails da Antônia (que não eram poucos!)

A masturbação se tornou algo constante na vida dela. Ansiava tanto por uma trepada c/ ele, que nem se perguntava se haveria de ser bom.
Sim, porque um rapaz que prende tanto o jogo, tão puritano e pudico em pleno século XXI, talvez não fosse bom de cama. E definitivamente, não daria-lhe a tão sonhada surra.
E assim o tempo passou. Antônia mandando e-mails, o rapaz respondendo, se esquivando, outro dia dando corda, outro c/ olhar de saudade, outro c/ olhar de raiva.
Raiva na voz, raiva nos e-mails. Ele estava c/ raiva de estar sentindo tanto tesão por ela.
Ela, se divertindo, mas por dentro puta, por estar sendo cozinhada por tanto tempo.

Passaram-se dois meses. O caso era perdido. Já tinha perdido o ponto, mas Antônia não se via desistindo, até que veio uma discussão baixinho por telefone.
Ela chamava ele de otário, toda vez q ele descrevia a si próprio de mais falar do que fazer. Era um careta convicto.
Antônia ficava ainda mais furiosa, porque ele não entendia q o q faria seria apenas sexo. Sem romance, sem amor. Enquanto ele, sofria de antemão por temer gostar e querer mais. Por isso vinha adiando. No calor da discussão, proporam-se uma chupadinha no carro.
Entre um "demorou" e outro "só se for agora" e "quando, que horas?" marcaram p/ a semana seguinte e ele finalmente se soltou.

Semana seguinte, pós fim de semana, Antônia em contagem regressiva, o rapaz pareceu mais atrevido.
Escritório vazio, ele telefona e avisa p/ ela ficar atenta.
Ela fica atenta.
Ele desfila lindamente de pau duro, fazendo volume nas calças e ela vê tudo aquilo em frente a mesa dela.
Antônia sentiu seu rosto queimar. Talvez estivesse subestimando o rapaz. Talvez ele não fosse tão pudico assim. Talvez ele tivesse talento suficiente p/ dar-lhe aquela surra.

Paciência.
Toda mulher tem que ter uma boa dose de paciência na bolsa, bem ali, entre o batom, o absorvente e o lápis de olho.
Sua menstruação desceu. Exatamente dois dias antes do combinado.
Não haveria a menor condição de a chupada sair. Não naquela semana.
 
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