domingo, 23 de outubro de 2011

Conto de Anjo


Um dia eu vi você passando.
Você que tem nome de anjo e olhos endiabrados. Observei você de cima abaixo, mas isso um bando de mulheres deve fazer.
Você sabe o quanto é gostoso, o quanto é admirado, então você encara. Aposto que gosta de provocar.

Mas eu não me iludo com qualquer olhar e nem maldei os seus na minha direção. Aliás, talvez tenham sido olhares fortuitos.
Então um dia você parou na minha frente de costas pra mim. Não resisti. Percorri o olhar pelo seu corpo todo e me imaginei tirando a sua calça por trás, lambendo sua coxa, sua bunda, tirando a parte da frente e te masturbando. Porque tanto quanto você é lindo vestido, te imagino sendo lindo nu.

Pierre-Narcisse Guérin, "Morfeu e Ísis",
1811, Hermitage, Petersburgo
 Como eu gostaria de te ver nu.
E então eu mudei de lado e me deparei com seu pau rijo bem na minha frente, apontado pro meu rosto e pedindo minha língua quente.
Eu fui subindo lentamente, esfregando meus seios pelo seu corpo todo. Não dei sequer um beijinho nele, porque gosto da tortura. Gosto de deixar meu parceiro totalmente rendido de prazer. Implorando por uma chupada ou pra ter seu desejo saciado, com fome de mim.
E eu adoro esse jogo de nervos. E eu adoro saciar também.

Deitei você na cama, você com seu nome de anjo e cabelos negros de seda e sentei nua bem perto desse falo gostosíssimo, já molhado, pedindo por ela. Minha doce bucetinha, toda molhada só por ter ver.
Nessa hora eu não resisti. E te brindei rebolando suavemente no seu quadril, com a sua pele encostada nelazinha, toda molhada, te lambuzando com o meu desejo. Então, coloquei meus dedos nela e me toquei até quase enlouquecer.

Quando estava quase gozando, passei os meus dedos na sua língua e te dei o beijo mais intenso que eu podia dar.
Por um instante, achei que roubaria sua alma. Mas eu sou bruxa, não uma vampira. E sentei gostoso no seu pau.
E transamos feito loucos, cavalgando intensamente nos corpos um do outro.

Será que nessa hora você, o que tem nome de anjo, um corpo talhado pelos Deuses saberia me domar?
Você saberia controlar essa situação?
O que você faria comigo para aplacar esse desejo que eu sinto antes que eu te chupasse como ninguém e começássemos tudo outra vez?
Diz-me anjo!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jandira Aceita

Quando finalmente Jandira entendeu que o que sentia era amor, parou de chamar aquele sentimento de amor de pica.
Desde os tempos de colégio, quando não era correspondida em suas pretensões, aprendeu que doía menos apelidar os sentimentos para se proteger do choro, da decepção, das ilusões não correspondidas.

Jandira conheceu Geraldo há muito tempo e a empatia foi imediata. Talvez ambos sentissem atração um pelo outro, mas seus destinos já estando traçados nos braços de terceiros, não podiam dar vazão a seus desejos.

Então foram anos de uma certa amizade, de cumplicidade diária, de confidências dela, de brincadeiras dele, daquelas leituras de pensamento que só as almas próximas sabem se utilizar.

Geraldo era o tipo que despertava atenção por onde passava, não só pela beleza, mas por seu jeito despachado, brincalhão e humilde... mesmo por baixo de suas roupas caras. Esse jeito humilde típico dos que não tiveram descanso a vida toda, mas dos que foram talhados no trabalho, debaixo do labor de sol a lua. Ele havia conquistado o mérito de seu esforço e atingido o topo, muito embora levasse consigo a simpatia dos humildes - mas só Jandira era capaz de enxergar isso.
E assim, Geraldo conquistava com seu sorriso, com sua presença e senso de justiça. Despertava disputas por sua atenção, como se meritório fosse estar em sua companhia.

Gabrielle à la chemise ouverte - Obra de Renoir
Por tudo isso, Jandira se deixara envolver.
E com o passar dos anos, se afastaram pelas circunstâncias da vida mesmo que o carinho fosse grande e recíproco. Para Jandira, ter breves contatos com Geraldo, ou contar-lhe as novidades funcionava como uma lufada de ar fresco em sua rotina.
Riam, se entendiam, almoçavam ou encontravam-se parcas vezes em algum barzinho da cidade para falar da vida. Era muito pouco, muito corrido, muito rápido. Típico das coisas que são muito boas.

Geraldo olhava para Jandira e enxugava suas lágrimas recém roladas do rosto. Adivinhava-lhe os pensamentos, consolava e sempre tinha um lenço no bolso.
As gargalhadas também eram cúmplices e no frescor de uma piada recém-tirada do bolso com ela, tinha o final enfeitado por ele.

Mas não havia envolvimento carnal naquela relação, muito embora Jandira não soubesse conviver com isso muito bem, até que lembrou daquele sonho antigo. Nesse sonho, que tivera ainda saída da adolescência, quando seu coração estava dividido entre dois amores, um anjo de cabelos muito negros, com um abraço de gigante lhe disse que nem um, nem outro preencheriam o espaço de seu coração. Seria ainda um terceiro. Mas que não naquela vida.
Jandira acordara chorando aquele dia, com uma saudade infinita dentro do peito, ansiando pelo encontro, pelo reconhecimento de alguém que poderia ser sua metade. Precisava daquele abraço outra vez, mas ninguém sabia dar.

Nunca abraçara Geraldo daquele jeito. Uma vez sim, mas sentia o incômodo dos olhares, apesar de ser um abraço de 10 minutos como tinham combinado dias antes. Ele cumprira.
E todas as evidências de aquilo não ser uma simples amizade, ela sabia que não era nada além.
Ele? Ele sabia conviver pacificamente com aquele relacionamento querido, sem a típica ansiedade dos que estão perdidos.
De tanto arder-lhe a consciência, de tantos sonhos, de algum pranto pela distância, Jandira aceita que o que sentia era nada mais que amor.
Um amor cândido daquele tipo que passa pela vida, deixa sua marca na idealização do outro e se vai.

Sabia que não mais tocaria aquela face, que nunca teria o corpo dele sobre o seu, ou vice-versa; tinha absoluta certeza que não mais lhe daria o beijo que roubaria sua alma, pois ele tinha medo de sentir mais do que deveriam ambos. Jandira sabia que não mais teria a mão de Geraldo entre seu sexo quente e sedento, portanto aceitara o fato de que esse amor era encantado e platônico. Mesmo tendo quase vergonha de sentir algo assim, afinal, sentia-se velha para tanto... ainda sim, aceitou e mandou a ansiedade embora. Com isso, quase parou de sentí-lo, porque já não lhe apressava nem lhe cobrava a ansiedade de vivê-lo.
Era parte dela... estava ali.

Então, um dia depois de risos ao telefone e daquela conversa escandalosa que mais pareciam xingamentos ao invés de traduzir a saudade de ambos, ela ligou de novo. Sentiu uma imensa euforia ao ter ouvido sua voz do outro lado do continente e transbordando de felicidade disse:

- (...) escuta. Preciso te dizer uma coisa. Sério!
- Fala. Eu tô te ouvindo.
- Eu te amo!

Silêncio.

- Eu também.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PARECE FILME DE TERROR...

Eye - De Maurits Cornelis Escher - Artista Gráfico holandês
Eu ainda me assombro com certas intuições minhas. 
Às vezes eu não vou com a cara de uma pessoa, mesmo quando ela dá mostras de q gosta de mim. 
Mas gostar de mim de graça sem eu ter dado motivo? E me fazer de melhor amiga, q conta vida pessoal assim de primeira? E na frente de todo mundo? Hmmmmmmmm...

E a ambição? 
Aquela pessoa q tem pouco tempo de casa, flerta com o poder e no mínimo acesso começa a se espalhar como se da casa fosse? 
E aí, ganha uma sala, atinge seu objetivo e cerceia a liberdade alheia. Como é isso? 
Como é isso de não dirigir a palavra e mandar recado por seus subalternos? 
Como se chama isso? 
Eu não sei. 

Mas digo que nos dois casos, minha intuição disse q aí vinha merda! 
Embora o tempo passasse lento e por vezes, as circunstâncias apontassem que eu estaria errada, me levaram exatamente ao caminho em que minha intuição dissera.

Claro, eu ainda posso estar errada. 
Mas sei não... hmmmmm.
 
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