Era uma aborígenezinha essa tal de Joana.
Ela e Maria se entenderam no segundo dia em que se conheceram. No primeiro, Joana tirou um sarro da cara de Maria sem ela saber. Conheceram-se no trabalho e passaram a ser colegas.
Joana tinha aquele tipo de humor mordaz, ácido, safado e sem-vergonha, tanto que para arrumar amigos verdadeiros era um custo.
De certo, Joana era meio arredia e não costumava facilitar as coisas, mas depois que se conheceram, não se desgrudaram mais.
Maria era mais velha que Joana, porém aniversariavam quase no mesmo dia. Então, as afinidades ficaram logo evidentes e Joana confessou a brincadeira que fazia desde o primeiro dia em que vira Maria. Por sua vez, Maria já tinha passado da fase de esquentar com tudo. Nunca foi disso, de maneira que ficou tudo bem. Ainda sim, inventou de chamar Joana de aborígene vez por outra. Joana ficava puta, mas levava na sacanagem. Sabia que era linda, não tinha grilos c/ apelidinhos.
Ela e Maria se entenderam no segundo dia em que se conheceram. No primeiro, Joana tirou um sarro da cara de Maria sem ela saber. Conheceram-se no trabalho e passaram a ser colegas.
Joana tinha aquele tipo de humor mordaz, ácido, safado e sem-vergonha, tanto que para arrumar amigos verdadeiros era um custo.
De certo, Joana era meio arredia e não costumava facilitar as coisas, mas depois que se conheceram, não se desgrudaram mais.
Maria era mais velha que Joana, porém aniversariavam quase no mesmo dia. Então, as afinidades ficaram logo evidentes e Joana confessou a brincadeira que fazia desde o primeiro dia em que vira Maria. Por sua vez, Maria já tinha passado da fase de esquentar com tudo. Nunca foi disso, de maneira que ficou tudo bem. Ainda sim, inventou de chamar Joana de aborígene vez por outra. Joana ficava puta, mas levava na sacanagem. Sabia que era linda, não tinha grilos c/ apelidinhos.
A vida é engraçada. Separa e volta a unir os amigos.
Talvez para testar se a amizade é verdadeira mesmo. Às vezes as duas ficavam quase um ano inteiro sem se falar, mas em Novembro voltavam a se ligar e dar os parabéns.
Maria era mais sentimental, acreditava mais nas pessoas e caía em algumas ciladas que a vida preparava.
Já a Joana, não. Era mais na defensiva. Talvez, por não ter tido proteção na infância, por ter lutado desde cedo a conseguir na marra o que queria. De um jeito ou de outro.
As duas quando se encontravam trocavam muitas coisas. Maria aprendia a não abrir tanto a guarda, a colocar o pézinho atrás em algumas situações e Joana treinava paciência, calma, placidez. Coisa que sua ansiedade de escorpiana não permitia. Maria já fora assim também, mas aprendeu na marra a segurar a onda.
Então, era Joana em cima do salto e Maria aprendendo o que era a defensiva.
Mas o salto alto, de vez em quando tem de quebrar. Até prá gente ganhar alguns presentes que a vida nos reserva, sem a gente saber.
Maria estava só. Morava só, estava num emprego estável e naquela vidinha de beijar quantos quisesse.
Joana já namorava há um bom tempo o mesmo cara. Esse cara, o Clóvis, foi responsável pelo afastamento das duas. Não que tivessem brigado, não. Só que Joana andava casadinha e às vezes que se falavam era pelo telefone.
Joana sempre dizia que estava tudo bem e Maria não perguntava muito sobre os detalhes íntimos do dois, de modo que achava que tudo ia bem.
Certamente ia tudo bem, até Joana flagar seu Clóvis de olho numa colombina que vinha ser sua amiga de faculdade.
O tempo fechou, o Clóvis foi reduzido a pó. Conheceu a ira de Joana, que coberta de razão conseguia ser ainda pior.
Quando Maria ficou sabendo, se surpreendeu com a tranquilidade de Joana.
Joana ria, debochava e destilava veneno em relação ao Clóvis. Mas do jeito que descrevia ele rastejando por uma volta, parecia estar tudo bem.
Bela capa cobria Joana naquele momento. A capa que disfarçava toda sua tristeza e humilhação internos.
Ela não queria que ninguém soubesse o tamanho do buraco que ficou em seu peito. Nem para sua querida Maria, ousava contar.
Acontece, que o buraco foi aumentando. Às vezes a dor era suportável, mas de vez em quando se apresentava lancinante.
Foi exatamente numa dessas ocasiões que Joana não aguentou e ligou para Maria. Chorando.
Maria-Coração-de-Manteiga não suportava ouvir choro, ainda mais se tratando de choro de amigo querido. Maria estava no trabalho e atarefada até o pescoço. Não conseguia assimilar direito o choro melancólico de Joana. Ficou atordoada, confusa e penalizada. Ainda tentou levantar o astral da amiga, mas nada funcionava.
Questionou o fato de terem se falado na noite anterior e ter ouvido da amiga que estava tudo bem, mas Joana foi obrigada a confessar que estava sofrendo. Nunca foi boa nisso, mas teve de jogar limpo.
E foi justamente aí que Maria se lembrou do Às.
Eles já não se viam. Se falavam ocasionalmente pelo telefone. As últimas transas foram corridas, devido a falta de tempo.
Numa fração de segundos e com a chefe em seu cangote, Maria se lembrou de todo o carinho que sentiu e sentia pelo Às, lembrou que a paixão tinha acabado já fazia tempo e que nada traria aquele tempo bom de volta. Por uma estranha razão, pensou em unir os dois.
Ele tinha todos os predicados que agradam a uma mulher e francamente, Joana ainda não tinha conhecido um homem de verdade. Todos os seus casos e namoros, beiravam ao relacionamento pós-adolescente, visto pela conduta de seus ex-namorados. Tá certo que Maria nem sempre os acompanhou de perto, mas digamos que nenhum deles foi aprovado pela sua avaliação ferina.
Já o Às não. Era homem feito, mais velho, bonito, sedutor e já estava arranjado na vida. Maria sabia que ele estava enrolado com alguém, mas conhecendo-o do jeito que conhecia, sabia que era aberto a novas oportunidades. Ainda mais quando não estava apaixonado.
Dito e feito.
Maria propôs a Joana:
MARIA - E se eu ligasse p/ o Às e desse seu telefone?
JOANA - (Interrompendo o chorro e assoando o nariz) Tá baluca?? Vai dar meu telefonde prá guê??
MARIA - Sei lá! Prá vc parar de chorar. Desencanar do Clóvis. Qualquer coisa. Nem sei porque vc está chorando, se ele nem é bom de cama!
JOANA - Ora Maria, nem só de cama vive um relacionamento! Tem outras coisas.
MARIA - Queridinha, nem só de cama. Só 80% do relacionamento. O que não dá, é viver com os outros 20% por dois anos e meio. Vc quando morrer vai direto pro céu e sem escala. Tá na hora de vc conhecer um homem de verdade e eu vou dar seu telefone pro Às. Não discute comigo que eu sou mais velha!!
JOANA - Tá bom, então!!!
Maria sabia ser convincente quando lhe convinha e Joana nunca foi de dispensar uma sacanagem.
ÀS - Alô??
MARIA - Oi, querido, é Maria, tudo bem??
ÀS - Tudo. Tá sumida, tudo bem??
MARIA - Tudo. Querido, vou direto ao assunto. Tem essa amiga minha, a Joana. Ela está mau, sabe? Ligou prá mim chorando, tá deprimida, terminou c/ o namorado... Vc faria a caridade de ligar p/ ela, sair c/ ela, bater um papo. Sabe como é né?! Dar um colinho. Eu não aguento ver amiga chorando.
ÀS - Maria. O q q tá acontecendo? Vc tá de sacanagem comigo, né?! Como assim eu ligar prá ela? Vc deve estar me aprontando alguma. É vingança??
MARIA - Deixa de ser bobo! Não é nada disso. Eu estou no trabalho, super atolada, a Joana me ligou chorando e eu só consegui pensar em vc prá levantar o astral dela. Só isso.
ÀS - Ah! Fala sério! Essa Joana deve ser o maior canhão.
MARIA - (Puta) Canhão é o caralho. Pára de palhaçada e anota logo o telefone. E liga, hein?! Mas liga agora.
Engraçado como são as coisas. Maria nunca fora tão persuasiva na vida. Persuasiva e bem sucedida.
Se fosse prá pedir aumento de salário, talvez não fizesse tanto sucesso.
Ela sabia que quando os dois se encontrasse, a atração seria mútua. Os interesses bateriam, as bocas se encontrariam e os dois não se desgrudariam mais.
Sabia que Joana ficaria encantada e o Às completamente seduzido pelo sexo de Joana.
Sabia que isso significava não tê-lo mais. Mas o importante nesse caso, era o amor que sentia pela amiga Joana.
Naquele momento, foi o que importou mais. Não o sentimento mesquinho de guardar na manga, um Às que estava guardado sem utilidade.
Depois daquele evento, os dois se falaram e Joana gostou da voz do Às.
Depois quando se encontraram, gostou da aparência do Às. Ele a levou a um restaurante chiquetérrimo na Zona Sul, tal como Maria previra.
A conversa rolou animada pela noite afora. A atração era evidente, o que deixou o Às mais confuso ainda em relação a Maria.
Como ela fizera aquilo?
O fato é que os dois grudaram.
Rolou uma afinidade em todos os sentidos. Joana tinha o frescor da juventude que as parceiras do Às já não possuíam, era completamente liberal na cama. Tinha uma pele sedosa, carinho gostoso.
Ao passo que ele, balançava Joana e brincava com ela de todas as maneiras. Ela se sentia plena sexualmente falando.
E as conversas com Maria começaram a ficar mais animadas.
Maria sentia um felicidade incrível em ver os dois bem. E nunca pôde imaginar, que se sentiria feliz em ver outra pessoa realizar tudo que ela não pôde, ao lado de alguém que ela um dia gostou muito.
E assim, a amizade desse trângulo fluiu sem traumas.
Maria sempre segurando a onda de Joana, nos momentos de stress, porque Joana tinha o pavio curtíssimo.
Joana brindando Maria com sua felicidade e sua amizade.
O Às?? Ficou completamente apaixonado por Joana e continua incrédulo, quanto a atitude de Maria.
Não houve sacanagem, nem colação de velcro.
O que houve foi o amor.
Da maneira mais sublime que existe: Dar, sem esperar nada em troca.

