quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

E MARIA AMA JOANA - PARTE II

Era uma aborígenezinha essa tal de Joana.
Ela e Maria se entenderam no segundo dia em que se conheceram. No primeiro, Joana tirou um sarro da cara de Maria sem ela saber. Conheceram-se no trabalho e passaram a ser colegas.

Joana tinha aquele tipo de humor mordaz, ácido, safado e sem-vergonha, tanto que para arrumar amigos verdadeiros era um custo.
De certo, Joana era meio arredia e não costumava facilitar as coisas, mas depois que se conheceram, não se desgrudaram mais.


Maria era mais velha que Joana, porém aniversariavam quase no mesmo dia. Então, as afinidades ficaram logo evidentes e Joana confessou a brincadeira que fazia desde o primeiro dia em que vira Maria. Por sua vez, Maria já tinha passado da fase de esquentar com tudo. Nunca foi disso, de maneira que ficou tudo bem. Ainda sim, inventou de chamar Joana de aborígene vez por outra. Joana ficava puta, mas levava na sacanagem. Sabia que era linda, não tinha grilos c/ apelidinhos.

A vida é engraçada. Separa e volta a unir os amigos.
Talvez para testar se a amizade é verdadeira mesmo. Às vezes as duas ficavam quase um ano inteiro sem se falar, mas em Novembro voltavam a se ligar e dar os parabéns.

Maria era mais sentimental, acreditava mais nas pessoas e caía em algumas ciladas que a vida preparava.
Já a Joana, não. Era mais na defensiva. Talvez, por não ter tido proteção na infância, por ter lutado desde cedo a conseguir na marra o que queria. De um jeito ou de outro.

As duas quando se encontravam trocavam muitas coisas. Maria aprendia a não abrir tanto a guarda, a colocar o pézinho atrás em algumas situações e Joana treinava paciência, calma, placidez. Coisa que sua ansiedade de escorpiana não permitia. Maria já fora assim também, mas aprendeu na marra a segurar a onda.

Então, era Joana em cima do salto e Maria aprendendo o que era a defensiva.
Mas o salto alto, de vez em quando tem de quebrar. Até prá gente ganhar alguns presentes que a vida nos reserva, sem a gente saber.

Maria estava só. Morava só, estava num emprego estável e naquela vidinha de beijar quantos quisesse.

Joana já namorava há um bom tempo o mesmo cara. Esse cara, o Clóvis, foi responsável pelo afastamento das duas. Não que tivessem brigado, não. Só que Joana andava casadinha e às vezes que se falavam era pelo telefone.

Joana sempre dizia que estava tudo bem e Maria não perguntava muito sobre os detalhes íntimos do dois, de modo que achava que tudo ia bem.

Certamente ia tudo bem, até Joana flagar seu Clóvis de olho numa colombina que vinha ser sua amiga de faculdade.
O tempo fechou, o Clóvis foi reduzido a pó. Conheceu a ira de Joana, que coberta de razão conseguia ser ainda pior.

Quando Maria ficou sabendo, se surpreendeu com a tranquilidade de Joana.
Joana ria, debochava e destilava veneno em relação ao Clóvis. Mas do jeito que descrevia ele rastejando por uma volta, parecia estar tudo bem.

Bela capa cobria Joana naquele momento. A capa que disfarçava toda sua tristeza e humilhação internos.
Ela não queria que ninguém soubesse o tamanho do buraco que ficou em seu peito. Nem para sua querida Maria, ousava contar.

Acontece, que o buraco foi aumentando. Às vezes a dor era suportável, mas de vez em quando se apresentava lancinante.
Foi exatamente numa dessas ocasiões que Joana não aguentou e ligou para Maria. Chorando.

Maria-Coração-de-Manteiga não suportava ouvir choro, ainda mais se tratando de choro de amigo querido. Maria estava no trabalho e atarefada até o pescoço. Não conseguia assimilar direito o choro melancólico de Joana. Ficou atordoada, confusa e penalizada. Ainda tentou levantar o astral da amiga, mas nada funcionava.

Questionou o fato de terem se falado na noite anterior e ter ouvido da amiga que estava tudo bem, mas Joana foi obrigada a confessar que estava sofrendo. Nunca foi boa nisso, mas teve de jogar limpo.

E foi justamente aí que Maria se lembrou do Às.
Eles já não se viam. Se falavam ocasionalmente pelo telefone. As últimas transas foram corridas, devido a falta de tempo.

Numa fração de segundos e com a chefe em seu cangote, Maria se lembrou de todo o carinho que sentiu e sentia pelo Às, lembrou que a paixão tinha acabado já fazia tempo e que nada traria aquele tempo bom de volta. Por uma estranha razão, pensou em unir os dois.

Ele tinha todos os predicados que agradam a uma mulher e francamente, Joana ainda não tinha conhecido um homem de verdade. Todos os seus casos e namoros, beiravam ao relacionamento pós-adolescente, visto pela conduta de seus ex-namorados. Tá certo que Maria nem sempre os acompanhou de perto, mas digamos que nenhum deles foi aprovado pela sua avaliação ferina.

Já o Às não. Era homem feito, mais velho, bonito, sedutor e já estava arranjado na vida. Maria sabia que ele estava enrolado com alguém, mas conhecendo-o do jeito que conhecia, sabia que era aberto a novas oportunidades. Ainda mais quando não estava apaixonado.

Dito e feito.

Maria propôs a Joana:

MARIA - E se eu ligasse p/ o Às e desse seu telefone?
JOANA - (Interrompendo o chorro e assoando o nariz) Tá baluca?? Vai dar meu telefonde prá guê??
MARIA - Sei lá! Prá vc parar de chorar. Desencanar do Clóvis. Qualquer coisa. Nem sei porque vc está chorando, se ele nem é bom de cama!
JOANA - Ora Maria, nem só de cama vive um relacionamento! Tem outras coisas.
MARIA - Queridinha, nem só de cama. Só 80% do relacionamento. O que não dá, é viver com os outros 20% por dois anos e meio. Vc quando morrer vai direto pro céu e sem escala. Tá na hora de vc conhecer um homem de verdade e eu vou dar seu telefone pro Às. Não discute comigo que eu sou mais velha!!
JOANA - Tá bom, então!!!

Maria sabia ser convincente quando lhe convinha e Joana nunca foi de dispensar uma sacanagem.

ÀS - Alô??
MARIA - Oi, querido, é Maria, tudo bem??
ÀS - Tudo. Tá sumida, tudo bem??
MARIA - Tudo. Querido, vou direto ao assunto. Tem essa amiga minha, a Joana. Ela está mau, sabe? Ligou prá mim chorando, tá deprimida, terminou c/ o namorado... Vc faria a caridade de ligar p/ ela, sair c/ ela, bater um papo. Sabe como é né?! Dar um colinho. Eu não aguento ver amiga chorando.
ÀS - Maria. O q q tá acontecendo? Vc tá de sacanagem comigo, né?! Como assim eu ligar prá ela? Vc deve estar me aprontando alguma. É vingança??
MARIA - Deixa de ser bobo! Não é nada disso. Eu estou no trabalho, super atolada, a Joana me ligou chorando e eu só consegui pensar em vc prá levantar o astral dela. Só isso.
ÀS - Ah! Fala sério! Essa Joana deve ser o maior canhão.
MARIA - (Puta) Canhão é o caralho. Pára de palhaçada e anota logo o telefone. E liga, hein?! Mas liga agora.

Engraçado como são as coisas. Maria nunca fora tão persuasiva na vida. Persuasiva e bem sucedida.
Se fosse prá pedir aumento de salário, talvez não fizesse tanto sucesso.
Ela sabia que quando os dois se encontrasse, a atração seria mútua. Os interesses bateriam, as bocas se encontrariam e os dois não se desgrudariam mais.

Sabia que Joana ficaria encantada e o Às completamente seduzido pelo sexo de Joana.
Sabia que isso significava não tê-lo mais. Mas o importante nesse caso, era o amor que sentia pela amiga Joana.

Naquele momento, foi o que importou mais. Não o sentimento mesquinho de guardar na manga, um Às que estava guardado sem utilidade.

Depois daquele evento, os dois se falaram e Joana gostou da voz do Às.
Depois quando se encontraram, gostou da aparência do Às. Ele a levou a um restaurante chiquetérrimo na Zona Sul, tal como Maria previra.

A conversa rolou animada pela noite afora. A atração era evidente, o que deixou o Às mais confuso ainda em relação a Maria.
Como ela fizera aquilo?

O fato é que os dois grudaram.

Rolou uma afinidade em todos os sentidos. Joana tinha o frescor da juventude que as parceiras do Às já não possuíam, era completamente liberal na cama. Tinha uma pele sedosa, carinho gostoso.
Ao passo que ele, balançava Joana e brincava com ela de todas as maneiras. Ela se sentia plena sexualmente falando.

E as conversas com Maria começaram a ficar mais animadas.
Maria sentia um felicidade incrível em ver os dois bem. E nunca pôde imaginar, que se sentiria feliz em ver outra pessoa realizar tudo que ela não pôde, ao lado de alguém que ela um dia gostou muito.

E assim, a amizade desse trângulo fluiu sem traumas.
Maria sempre segurando a onda de Joana, nos momentos de stress, porque Joana tinha o pavio curtíssimo.
Joana brindando Maria com sua felicidade e sua amizade.

O Às?? Ficou completamente apaixonado por Joana e continua incrédulo, quanto a atitude de Maria.
Não houve sacanagem, nem colação de velcro.
O que houve foi o amor.
Da maneira mais sublime que existe: Dar, sem esperar nada em troca.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

E MARIA AMA JOANA - PARTE I

Digamos q Maria tinha um Ás na manga.
Ela estava numa fase meio "solta na vida", saía com um, flertava com outro, era apaixonada por um terceiro o qual namorava, mas tinha esse Ás.

Eles se conheceram num boteco em frente ao trabalho.
Naqueles dias em que a última coisa q vc vai imaginar que aconteça, é vc conhecer alguém interessante.
Ela achava q já conhecia todos de lá e não se surpreendia com nenhum rosto.

Trabalhava numa daquelas empresas q possuem refeitório e que nos horários de pico vc já viu tudo em 6 meses?! Pois é. Ela estava enganada.
Maria não conhecia todo mundo, muito menos o pessoal da ala mais freqüentável, digamos assim.
E esse cara apareceu do nada...Ela acabava de encerrar o expediente e já havia ficado 3 horas mais q o necessário.
Desceu exausta e deu de cara c/ toda a galera no boteco. Teve q fazer a social, porque a essa altura todos chamavam por seu nome.
Ela ficou encostada numa mesa, falando c/ todos e c/ ninguém, pois sua mente já não assimilava muita coisa, quando deu de cara c/ ele olhando p/ ela.
Ele estava sentado dentro do boteco, c/ uma cerveja na metade, olhando daquele jeito penetrante que só os escorpianos têm.

Ela ficou olhando também, tentando descobrir de onde tinha saído aquele par de olhos. Eram castanhos, mas isso era o que menos importava. Podiam ser verdes, azuis, cor de rosa, roxo, que não faria a maior diferença. Eles eram hipnotizantes!!!

Parou de encará-lo porque já não conseguia mais evitar aquela sensação estranha de quebrar a corrente no meio. Maria nunca desviara o olhar antes e esse cara a deixava extremamente sem jeito. Parecia que ele conseguia vê-la nua, apesar de não estar lançando esse tipo de olhar.

Maria catou uma amiga p/ fazer a avaliação e quando conseguiu uma, o cara tinha sumido e em seu lugar estava sentada uma cópia mal feita. Como ela não vira ele saindo?

No dia seguinte, ela saiu à noite e foi longe de casa c/ seu namoradinho. O tal por quem ela era apaixonada.
Era Deus no céu e o Otávio na Terra. Só que a sintonia não era a mesma.
Otávio trazia Maria na coleirinha. Ela sabia, mas preferia ficar c/ ele assim mesmo. Até o dia em que cansaria daquilo.
Estava ela lá, completamente despojada na cadeira do bar, quando se deparou c/ algo do outro lado da rua.

O Ás estava encostado no carro de seu namorado c/ o mesmo copo de cerveja na mão.
Ela não acreditou. Só não esfregou os olhos, pois borraria a maquiagem, mas ria por dentro e achava aquilo tudo muito doido!
Era muita coincidência. Maria começou a dar importância ao que diziam sobre não existirem coincidências dali em diante.

Atravessou a rua e foi pegar um maço de cigarro q se encontrava no porta luvas.
Vestia preto. Um vestidinho de alcinha, colado ao corpo acima do joelho.
Sentiu q o cara não tirava os olhos até se aproximar:

ÀS - É seu namorado??
MARIA - É.
ÀS - Vc trabalha lá na empresa, não?!
MARIA - Trabalho. Vc também pelo visto?
ÀS - Sim. Posso te ligar??
MARIA - Pode.
ÀS - Não tem problema??
MARIA - É meu namorado, não meu marido. Além do que, eu adoro conhecer gente.
ÀS - Então, te ligo na segunda.

Daí, ela ficou de quatro no banco, só p/ provocar o cara. Estava meio difícil de pegar o cigarro no porta luvas...
O Às já se imaginou encaixado naquilo tudo. Maria gostando de brincar c/ ele.
Voltou p/ a mesa, beijou o namoradinho e deu uma olhadela para o Às.
Ele não aguentou a pressão. Foi embora. Maria estava piranhérrima naquele dia!

Enfim rolou o primeiro encontro. Maria havia se esquecido do cara, mas ele não havia esquecido e como prometido ligou para Maria. Combinaram no mesmo boteco onde haviam se visto pela primeira vez. A conversa foi super animada. Havia uma diferença de idade bacaninha, ela estava radiante, ele ídem. A atração era evidente, mas ambos se contiveram. Ela, porque viu q estava escrito na testa as reais intenções dele e ele por ser um grande cavalheiro quando lhe convinha. Sabia esperar.

Maria pensava nele todo dia e se falavam c/ freqüência. Mas nem beijinho na boca estava rolando.
Certa vez foram a outro boteco escondidinho, Maria já tinha perdido o tempo da sedução. Temia que aquele frisson todo, virasse amizade. Também não aguentava mais ficar sem provar o cara. A cada conversa e beijinho de despedida, saía c/ a calcinha encharcada.

Já estava com umas doses de martini na cabeça, quando anunciou que iria ao banheiro tirar a calcinha, pois a estava encomodando. O Às ficou incrédulo, o clima até ali era de amizade e ele não acreditava q ela poderia fazer aquilo. Pois fez. Fez e mostrou a bolsa para ele, recheada c/ aquela q deveria cobrir suas partes.

A hora já avançava e ela tinha que voltar p/ casa. Na volta, pararam em alguns bares, pois quando Maria bebia, virava uma perfeita Maria-Mijona. O Às ria de tudo que ela fazia.
E foi justamente numa dessas paradas que ela voltou do banheiro e o beijou subitamente.
Foi um beijo cheio de fome, de vontade, louco.

Andavam pelo Alto da Boavista e na descida, Maria enlouquecida, decide presentear o Às c/ um belo boquete. Nem preciso dizer que ele não estava acreditando. Valeu a pena a espera. Fizeram todo o tipo de sacanagem dentro do carro. Ela se masturbou antes de chegar na Usina e o Às gozou só de ver. Como ele queria comer aquela mulher. Ela fazia questão de mostrar seu lado mais puta para ele, pois sabia que era exatamente isso que ele procurava.

Ficaram assim por alguns meses e a grande noite de sexo nunca chegava. Maria levava o Às p/ almoçar e o tocava na frente do garçon, sem que o garçon se desse conta do que rolava embaixo da mesa. Era com o pé, às vezes c/ a mão. Um dia, ela foi sem calcinha mesmo e o Às pôs os dedos na sua bocetinha molhadinha e depois os lambeu, em pleno restaurante. Supimpa, uma palavra que não se usa mais, mas que traduz aquele clima. Estavam apaixonados, mas não assumiam.

Esse era o grande problema dos dois. Maria era apaixonada por seu Otávio e pelo Às, que a realizava plenamente na cama (cama vírgula, o único lugar onde ainda não haviam estado!) Por sua vez, o Às não dava mole prá Maria. Deixava ela saber de todos os seus rolos, como gostava de chamar seus casos. Muitas vezes, esses rolos apareciam na porta da empresa e Maria quebrava o maior pau c/ o Às, como se ele fosse propriedade dela. Ambos morriam de ciúmes um do outro, mas ninguém abria mão de suas conquistas para ficar juntos.

Enfim, três meses depois rolou a grande noite. Eles viajaram para Teresópolis. ele a trabalho e ela a sexo.
Era uma daqueles dias quentes de 50 graus na sombra no Rio de Janeiro e Maria vendo tudo ficar p/ trás, inclusive o calor conforme se aproximava de Teresópolis. Ele já estava lá. Quando chegou na pousada, havia um quarto de boneca a sua espera. Ela tomou um banho bem gostoso, ficou cheirosa e entrou com seu topzinho branco e calcinha branca, debaixo do edredon. Parece loucura, mas o clima de lá nem de perto lembrava o clima do Rio. Dormiu.

O Às chegou da rua mais tarde e trouxe um baseadinho. Fazia tempos que Maria não sabia o que era aquilo e se sentiu tentada a dar um tapinha quando ele pediu que ela segurasse. Acabou não resistindo. Beberam um pouco de vinho, mas a sede que batia naquele momento era da boca um do outro. Ao vê-la deitada, o Às foi retirando o edredon lentamente, como que abrindo um presente. Fumaram, beberam, beijaram e sem oferecer nenhuma resistência, ele começou a chupar Maria deliciosamente. Ele não parava. E dizia que não sabia se era mais gostosa sua boca ou sua boceta.

A transa rolou sem pressa. Depois jantaram. Em seguida, voltaram para o hotel. Transaram quase que a noite toda, até a exaustão. Simplesmente não paravam. Houveram outras, inclusive melhores que essa. Na verdade, eram sempre e cada vez melhores.

Mas não dava certo. O entendimento entre eles era somente sexual. Fora da cama era um desastre. Ciúmes, cobranças. Maria assumiu que estava apaixonada, numa época em que o Às não tinha mais esse tipo de interesse e o barco afundou.

Por fim, eram transas ocasionais e sem o fator tempo para dar emoção.
O Às, se tornou apenas um às na manga, para Maria. Aquele que dava um colorido de vez em quando, mas já era um colorido meio embaçado. Perdeu o sentido.

A vida os afastava e os aproximava de novo, mas nunca mais foi igual ao que era.

E onde entra Joana??
Joana entra. Só na segunda parte!!!
Agora subam na vassoura!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

MARIA E JOÃO GRANDÃO

Ele era o preto mais bonito que ela vira na vida!
Maria nunca havia se apaixonado por pretos, ela era chegada num lourinho mesmo, apesar de sua morenice de índia.

Ela trabalhava numa lojinha, cuja informática nem passara perto, em Copacabana mesmo.
Vendia artigos íntimos e recebia alguns anúncios de comerciantes do bairro + adjacências.
A história dos anúncios cresceu e acabou tomando proporções maiores. Muito maiores do que ela poderia administrar.

Virou um jornalzinho furreco, que devido ao boca-a-boca fazia um sucesso danado. Todo mundo queria anunciar. Todos, principalmente as putas.

Imaginem vcs. Lojinha de galeria, vendendo artigos íntimos (quase uma sex-shop) com jornalzinho próprio?? Que público melhor senão o das putas??
Era lucro para todo lado.

A pobre da Maria não sabia mais a quem atendia naquela tarde quente. Quinta-feira de Novembro, um calor infernal e o ar-condicionado na ventilação. Não funcionava. Ela doida p/ fumar um cigarro, mas nem dava. Via a hora de ter fila na porta.

Pediu a menina da limpeza que quebrava aquele galho p/ ajudar na parte de vestuário e foi preparar os anúncios sozinha.
As calcinhas com abertura frontal eram uma febre. As meninas contavam umas p/ as outras e chegavam sempre em bando. Até que ele entra na loja.

Do alto dos seus 1,80m, cabelo de máquina 2 no máximo, aquela barba bem feita, que sugere um cavanhaque, porém só a sombra aparece, sabe?!
Cheiroso. Muito cheiroso.
De terno bem cortado e impecável. Não usava jóias e de feições delicadas, possuía algumas sardas.
Coisa louca p/ um negro. Bem, digamos que ele fosse um chocolate ao leite, isso justifica as sardas.
Culpa de uma mistura de carnaval entre o pai preto e a mãe espanhola, mas isso é história para outro dia.

Maria era magra e não costumava ter problemas c/ a balança. Magra mas com tudo no lugar. Tinha o corpo bonito, com aquele cabelão que ia até a cintura. O coque mal preso, deixava uns cachos escorrendo pelo rosto, que ela já estava com vontade de arrancar de tanto nervoso.

Antônio era arrogante. Como quase todo negro que ganha dinheiro nesse país. Diria eu que é mais orgulho do que arrogância. Mesmo assim, tem que se saber chegar e ele não soube. Talvez por ter ficado caído por ela de cara.

ELE - Ôôô mocinha, presta atenção. Esse anúncio saiu com erro.

Maria olhou o homem de cima abaixo e tentou ser o mais cordial e educada possível, embora seu santo não tenha batido c/ o dele. Milagrosamente, a loja esvaziou, a ajudante foi almoçar, a chefe não estava e eles ficaram sós.

Puderam acertar todos os detalhes do anúncio, que ele fizera questão de além do conserto, renovar por mais uma semana e em letras garrafais. Pagou à vista, para espanto de Maria.

Maria do alto de seus 29 anos, não achava mais graça em qualquer homem e ficara impressionada com o negão. Ele por sua vez, não "desceu do salto"!
No dia seguinte, a loja vazia, as putas dormindo ou na praia, no mesmo horário Antônio volta.
Trouxe um sorvete daqueles cheio de sacanagem que atende pelo nome de Cornetto. Lógico, derreteu Maria. Ela não ganhava nada fazia tempo. Até ganhava, mas era esporro e conta p/ pagar. Apesar da beleza, andava meio devagar c/ os homens. Sentia até falta de dar umazinha p/ lembrar como era, mas só aparecia porcaria. Como sofrem as mulheres em certas fases da vida...

Ele queria se desculpar pela atitude do dia anterior e ela foi só sorrisos. Ele exigiu um jantar depois do expediente e ela negou. Queria separar meeesmo a vida profissional da pessoal, mas ele não era de desistir fácil. Era cafetão.

Naquele dia, Maria saiu da loja mais tarde do que de costume. Dia de fechamento, erros no caixa p/ corrigir e muita dor de cabeça.
Fora a última a sair e ficou responsável por fechar a loja. Quase oito da noite de sexta feira, vontade de variar a rotina, mas o cansaço não deixava. Ela quase congelou quando deu de cara com Antônio na saída da galeria. Ele estava lá, todo maravilhoso, todo Ébano, pronto para levá-la para jantar.

Ela não conseguiu resistir ao charme dele. E o fato d' ele insistir e tomar as rédeas da situação a seduzia muito. Maria não era de se deixar domar, mas de vez em quando fantasiava c/ isso.
No caminho para o restaurante, ele pôs a mão em sua cintura e a conduziu pela rua. Maria se sentiu amolecer. Adorou o gesto de cavalheirismo dele. Antônio sabia como adoçar uma mulher. Sugeriu que parassem na cabine do banco 24 horas para sacar algum dinheiro e a convidou a entrar.

Na cabine apertada, Maria sentia o cheiro de Antônio, observava suas costas largas, sua nuca e já se imaginava beijando ele todo. Ele terminara a operação, quando Maria pediu licença para sacar também. Antônio ficou atrás dela.

Todo o cavalheirismo deu licença ao cafajeste que surgia dentro dele!
Antônio deixou cair uma moedinha de seu bolso e agachou-se p/ pegar. Foi subindo devagar lambendo as pernas de Maria, que vestia saia.

Maria imóvel.

Ele lambia suas pernas acima e percorria os dedos por dentro das coxas de Maria. Maria imóvel, doida para sentar no cara. Ela não podia imaginar... Aquela calcinha com abertura frontal fora a escolha mais acertada daquele dia!! Quem podia imaginar. Antônio caiu de boca, sem o menor pudor. Alternava dedos e língua como ninguém.

Maria a essa altura rebolava na cara dele.

Ambos gemiam e por sorte a rua estava deserta. Àquela altura, não fazia a menor diferença se alguém os visse. Estavam completamente entregues a situação. Maria gozou escandalosamente como há muito tempo não fazia. Já estava grata por ter conhecido um cafetão de tão alto quilate!!
Ela se virou e beijou-o muito. Adorou o beijo de Antônio, adorou seu tórax, adorou seu umbigo e cada vez que ia descendo adorava mais. Até que abriu as calças e sentiu tudo aquilo em suas mãos.
Fechou os olhos e chupou muito e se esqueceu até do tempo.

Antônio punha a camisinha e agachou. Maria preparava-se para dar uma bela sentada, quando se deparou com o tamanho REAL daquela pica. Era uma senhora pica. Teve a impressão de que na boca era menor. De qualquer forma, se ele tinha uma senhora pica, ela tinha uma senhora goela, incompatível com o tamanho de sua vagina.

Não deu. Ela molhadééérrima, tentava de todo jeito sentar, porém apenas pouco mais da cabeça passava. Doía-lhe tudo. Tentou uma, tentou duas e acabou que a camisinha se encarregou de secar o que estava molhado, complicando ainda mais a situação.

Maria decepcionadérrima se levanta e se recompõe. Lançou um olhar tristonho para Antônio, acariciou sua face, como que tentando não esquecer seu rosto lindo e proferiu:

ELA - Acho que perdi a fome para jantar. Vou comer um cachorro-quente mesmo, tá?! Tchau.

E saiu da cabine, sem ao menos convidá-lo para um lanche.
 
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