Mariana estava precisando desesperadamente trabalhar.
Tinha um novo aluguel do apê que conseguira e inesperadamente perdeu o emprego.
Passada toda aquela fase de depressão, por conta do desemprego, voltou à cidade para distribuir seus currículos cujas boas empresas falavam por si só.
Ela não se achava a bam-bam-bam do mundo corporativo, mas era uma menina dedicada.
Se destacava por onde passava e isso lhe era natural.
Mariana passara muito tempo se questionando e a palavra "o q vc quer ser quando crescer" continuava sem respostas. Isse lhe doía na alma. Como conseguir prosperar se nem ao menos sabia o q queria??
E assim se tacou na vida, de peito aberto e foi andando, andando sem saber aonde todo aquele caminhar daria.
O telefone tocava quase todo dia e ao passo q foi sendo chamada para as dinâmicas, a Lei de Murphy ia se cumprindo.
Enfim, apareceu uma vaga numa multinacional que se mudava para um bairro pomposo do Rio de Janeiro e q queria os serviços dela.
Nada vinha sem um bom desafio para acompanhar e Mariana não seria funcionária, faria apenas um temporário de 3 meses.
Se contentou c/ a proposta sem perder a esperança no futuro e rumou p/ a empresa, com seu melhor terno e melhor sapato.
Pôs a última gota de seu único perfume importado, caprichou no cabelo e chegou.
Nunca havia estado antes numa multinacional e nunca havia almejado isso. Simplesmente aconteceu e ela se deixou levar.
Foi encaminhada para a recepção, onde alguém ficou de buscá-la.
Logo ali, do outro lado do vidro e teve uma visão.
Uma visão de 1,75m, magro, branco, cabelos castanhos quase grisalhos, olhos azuis e um charmoso sotaque francês.
Ela ouvia a conversa, apesar de nada entender e já se imaginava mergulhada em problemas se a empresa fosse tão boa como estava prometendo.
Ele acendia um cigarro no outro e andava inquieto em círculos. Lindo, executivo, atraente... parecia saído das telas de cinema.
Sim. Mariana era sonhadora.
Foi bem sucedida na entrevista e concordaram que começaria na segunda feira.
Ela mal podia acreditar. Era seu melhor salário, a melhor oportunidade até então, apesar de não haver chance de aproveitamento na empresa. Ela já sabia q estaria fora, mas continuava contando c/ a sorte.
2º. Encontro:
Ela chega à pé, excitadíssima, quando pára um taxi a sua frente.
Um homem desce.
O mesmo do dia da entrevista.
Ela diz bom dia.
Ele responde.
Ela fica de pernas bambas na recepção esperando liberarem sua entrada.
Ele sobe.
3º. Encontro:
Havia se passado mais de um mês q estava lá, sem que ela se lembrasse do tal francês.
Eis q um belo dia, resolve conhecer a cobertura. Área também reservada para os cafésinhos da vida e p/ os fumantes.
Ele está lá.
Ela que tinha voltado a fumar, mesmo sem vontade, acende um cigarro, mas ele não nota sua presença.
Ela fica olhando fixamente os olhos dele, enquanto ele conversa com um grupo de estrangeiros.
Nada acontece.
4º. Encontro:
Ela resolve levar marmita à partir do 2º Mês. Todas as colegas faziam isso e definitivamente, era tempo de segurar a grana.
Não havia cozinha, as marmitas eram esquentadas numa sala localizada no térreo, onde havia microondas, geladeira, pia e treinamento.
Neste dia estava acontecendo um treinamento; ela pediu licença, invadiu e ficou quieta no final da sala.
Acabou se demorando, pois a comida estava congelada e mesmo estando em silêncio, algumas pessoas olhavam para trás, meio q se perguntando: "Ela não vai embora?!"
Antoine estava lá. E olhou p/ trás também, mas pela primeira vez a viu de verdade.
Ela se deu conta q era ele e ruborizou.
Ele olhou novamente, dessa vez fixando o olhar c/ um sorriso.
Ela tentou desviar mas não conseguiu.
O microôndas apitou e ela retirou a comida.
Saiu da sala, lançando um último olhar correspondido.
5º. Encontro:
Seu tempo estava acabando na empresa e ela ficara mais um tempo sem cruzar c/ Antoine. Soube que ele era do setor financeiro, mas não sabia sua função. Era incrível como nenhuma de suas colegas o conhecia, mesmo as mais antigas. Soube que a chefe de seu departamento desejava Antoine também e através disso, também soube q ele era Diretor.
Mariana resolve ir à cobertura fumar um cigarro.
No elevador, pensa em Antoine "Será q vou encontrá-lo dessa vez??"
Ele estava lá.
Dessa vez, havia uma amiga sua tentando tirar uma coca-cola q ficara presa na máquina.
Antoine, como bom cavalheiro q era, tentava ajudar sem sucesso.
Nesse dia, Mariana fez-se perceber. Ele a viu.
Ela sentou-se no banco em frente à máquina e acendeu um cigarro, cruzando as pernas de forma provocante, mas sem afetação. Era sexy.
Ele não resistiu e olhou em seus olhos. Ficou magnetizado.
Elas desceram e Mariana estava vibrante, apesar de trêmula.
6º. Encontro:
Finalmente o dia da partida.
O contrato chegara ao fim. Mariana estava desapontada por nem sequer ter dirigido a palavra para Antoine. Se sentia triste por não conseguir ficar na empresa como queria e por não ter conseguido conhecê-lo.
Dirigia em direção a empresa, num horário onde todos já estariam lá. Não tinha mais ilusões.
Estacionou nos fundos da empresa desejando vê-lo pela última vez, de todo coração.
Ao sair do carro, se deparou c/ Antoine nos fundos da empresa fumando um cigarro, andando de um lado p/ o outro.
O Diálogo:
MARIANA - Bom dia!
ANTOINE - Bom dia.
MARIANA - Vc tem um minuto?
ANTOINE - Claro!! (parecendo surpreso)
MARIANA - Olha que curioso. Quando vim aqui pela 1ª vez, vc estava exatamente aqui fumando. Quando comecei a trabalhar, vc foi a 1ª pessoa q vi chegando na empresa e hoje, eu estou indo embora e vc está aqui novamente... É uma pena realmente, a gente não ter se conhecido.
ANTOINE - Sim, sim - ele balançava a cabeça.
Mariana deu um beijo no rosto dele e subiu sem ao menos olhar p/ trás.
Antoine ficou ali atônito, c/ a cabeça pegando fogo sem saber o q fazer, se sentindo um idiota por ter deixado que ela escapasse. Ao mesmo tempo, se punia, porque era casado e por ter seus filhos pequenos. Só de pensar nisso ficava louco.
Mas e o buraco q ela deixara? Não conseguia tirar aquela mulher da cabeça. Só pensava nela a partir de agora.
Subiu pelas escadas enlouquecido e chegou arfante no setor de RH.
Pediu p/ a secretária entregar uma listagem p/ ontem, de todas as estagiárias q estavam deixando a empresa naquele mês. Leu a lista de tudo q foi jeito. De trás p/ frente, de frente p/ trás, ao contrário e nada de Mariana Bittencourt.
Por fim desistiu.
Esta história continua...


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