quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Perdeu Jacqueline

Mulata de Vestido Verde - tela de Di Cavalcanti

Fazendo um mergulho bem fundo na alma dessa mulher, via-se que apesar da aparente felicidade estampada no sorriso branco, aquela alma velha e cansada de tanta criancice ao redor carecia de carinho.

Qual é a mulher que não precisa de carinho? Não conheço.
Então ela começou a buscar esse "carinho" instintivamente em umas épocas, noutras épocas, conscientemente.
Ela sabia o que estava fazendo e só queria sexo com alguém relativamente bom. Já fora exigente o bastante para saber q não adiantava ficar escolhendo.
Agora, uma experiência qualquer valeria. Alguém que dissesse que ela era cheirosa, ou que seu cabelo é bonito ou ainda, que seu beijo é bom.

Tinha sim suas preferências, mas isso de nada valia. Não valia mais.
Tinha amadurecido demais, via muito além do que os outros enxergavam e quase nunca conseguia ser entendida. Portanto parou de exigir. Se o outro não tivesse a aparência monstruosa, apresentasse certo asseio e tivesse um bom toque, isso bastava.

Se jogou um dia na noite da boemia acompanhada de poucas amigas e sem nada esperar, despertou a atenção de quase ninguém.
Deixou-se entorpecer pela música, pela fumaça, pela droga e partiu para flertar com a vida. Mal se dera conta de que era observada por não mais que um quase menino.
Era quase um menino, quase um homem.

Quase esse, que embalado pela música, pelo sorriso fácil dela e pela liberadade que ela exalava, assim se sentiu atraído.
Quando se é novo, tudo o q se quer é alcançar a liberdade de espírito e ela tinha esse espírito livre. Sem o peso ou as amarras da sociedade vigente. Isso o atraiu completamente. Mas, e acompanhar?
Ele seria capaz de se despir de suas próprias amarras por uma noite com ela?
E ela, que tanto ansiava por um homem, se renderia aos braços de um menino?
Encostaram num balcão.
E ela inteiramente no domínio da situação, o trouxe até sua boca seguro pelo queixo. Enfiou sua língua entre seus lábios e passeou com ela por seus dentes semi-cerrados. Até que ele se deixou beijar. Um beijo, que nem era um beijo experiente. Um beijo de iniciante e que nela provocou quase tédio.
Já tinha beijado mil bocas. Todas muito diferentes daquilo. Todas a despertar aquele tesão que fazem arder o coração ou ainda, deixar as pernas trêmulas.

Ele não.
Ele não sabia beijar assim. Teria muito caminho a percorrer e ela... bem... ensinar nunca foi o seu forte.

E a alma sentia uma saudaaaade de nem sei o que. Uma vontade de uma boca, de uma mão lhe alisando o cabelo, passeando por seu corpo... uma mão que já sabia o que fazer.
Não de uma mão aprendiz. Na verdade, ela queria ser cuidada. Só isso.
Não, ele não saberia nada disso.
Ele tinha medo de se apaixonar e sabia também q não estava a altura dela.
Recuou.

A verdade é que ambos se afastaram. No meio de palavras ríspidas ficou só a lembrança daquela noite cansativa pra ela, promissora pra ele.
Não quiseram.
Ela não quis ensinar e ele não se permitiu aprender.
Preferiu tocar punheta.

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